Jardim Japão
“São Matheus Não é um Lugar Assim Tão Longe” (2009) é samba e autobiografia. “Bahia Fantástica” (2012) é soul-realismo-fantástico. “Conversas com Toshiro” (2015) é cinema-canção; Japão, jardim de abstração e ficção. A cada disco, a inspiração explora a geografia de novos campos mas o narrador é o mesmo Rodrigo – que esbanja sagacidade na observação ou no delírio, no porto seguro do samba ou na invenção de um novo gênero. Haja estilo.
A compreensão dessa trilogia, em que cada disco guarda o intervalo de três anos entre um e outro, passa também pelos rastros deixados nas entrelinhas dos projetos que acontecem no meio tempo: três discos do Passo Torto, o último com Ná Ozetti; e “Encarnado” (2014), de Juçara Marçal, em que divide as guitarras com Kiko Dinucci e que tem sua composição “Velho Amarelo” no repertório.
Ná e Juçara fazem coro em “Conversas com Toshiro” e sua participação embeleza os arranjos de um jeito estranho e misterioso. Não são backing vocais padrão; são micro-invenções, uma criação nova dentro das músicas, que combinam quase absurdamente com as criaturas de Rodrigo. O ouvinte encontrará facilmente as referências ao cinema japonês, mas a beleza maior é no que não está explícito nem tampouco se explica. Ouça sem pressa.
(Por Ramiro Zwetsch)
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- Toca da raposa | Radiola Urbana - [...] e piano elétrico), Gian Correia (violão 7 cordas) e Thomas Harres (bateria). Depois deste show, Rodrigo lançou seu terceiro…


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